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Missão Hera fotografa asteroide bombardeado pela NASA

A sonda Hera, da ESA, registrou Dimorphos e Didymos como dois objetos separados a 197 milhões de km da Terra e vai investigar o impacto da DART.

Foto de Dr. Paulo Budri

Biólogo, mestre e doutor em Genética Molecular e Microbiologia Clínica

7 min de leitura ·

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Ilustração da sonda espacial Hera que fotografou asteroides bombardeados pela NASA.
Ilustração da sonda espacial Hera que fotografou asteroides bombardeados pela NASA.
Resumo em 15 segundos
  • Mesmo assim, já aparece bem destacada do corpo maior.
  • A batida que a sonda vai investigar aconteceu em 26 de setembro de 2022.
  • A velocidade em relação aos asteroides caiu para 20 metros por segundo, ritmo lento o bastante para os controladores administrarem a chegada com calma.

Resumo dos pontos principais. A matéria completa está logo abaixo.

Pela primeira vez, a missão Hera olhou para o sistema de asteroides que a NASA “bombardeou” em um teste de defesa planetária e detectou dois corpos, não um borrão. A sonda da ESA (Agência Espacial Europeia) registrou Dimorphos e Didymos como objetos separados numa imagem da noite de 18 de outubro, tirada a cerca de 1.280 quilômetros dos alvos.

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Quantos minutos a órbita de Dimorphos ao redor de Didymos encurtou após "bombardeio" da NASA?

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Até então, tudo o que a sonda conseguia detectar era um único ponto de luz. Dimorphos, a menor das duas, ocupa mais ou menos um pixel nessa primeira foto. Mesmo assim, já aparece bem destacada do corpo maior. É o começo de uma perícia que vai durar anos: a Hera voltou ao lugar onde a NASA bateu de propósito num asteroide em 2022 e agora vai medir o que aquela pancada realmente fez.

Mais fotos aqui e aqui.

Dados da missão: a Hera é a primeira missão de defesa planetária da ESA (Agência Espacial Europeia), e as declarações divulgadas são de Michael Kueppers e do gerente da missão, Ian Carnelli. A imagem inaugural foi obtida em 18 de outubro pela Asteroid Framing Camera, a câmera de enquadramento de asteroide, quando a sonda estava a cerca de 1.280 quilômetros dos dois corpos, que naquele momento ficavam a 197 milhões de quilômetros da Terra. Não há artigo em revista científica associado a este marco: os dados foram anunciados pela ESA e repercutidos pela ScienceDaily.

O que a missão Hera foi fazer no asteroide que a NASA acertou?

A Hera é a primeira missão dedicada à defesa planetária, ou seja, ao esforço de proteger a Terra de rochas espaciais que possam representar ameaça. E o alvo dela é justamente um asteroide binário, o que significa duas rochas que giram uma em torno da outra.

A batida que a sonda vai investigar aconteceu em 26 de setembro de 2022. A DART, nave da NASA, acertou Dimorphos a cerca de 6,1 quilômetros por segundo. O impacto lançou detritos a até 10 mil quilômetros de distância e encurtou em cerca de 33 minutos o tempo que Dimorphos leva para completar uma volta ao redor de Didymos.

Com isso, Dimorphos virou o primeiro objeto do Sistema Solar cuja órbita foi mensuravelmente alterada pela ação humana, como lembra Carnelli. Ele também comemora o que a câmera mostrou: “Pela primeira vez, estamos vendo com os olhos da própria Hera o sistema duplo de asteroides para o qual a missão foi projetada e construída.”

Dimorphos deixa de ser um ponto de luz

Antes da aproximação, o conjunto inteiro cabia num único ponto da imagem. Em outubro, a equipe disparou os propulsores duas vezes, com uma semana de intervalo, para frear a sonda. A velocidade em relação aos asteroides caiu para 20 metros por segundo, ritmo lento o bastante para os controladores administrarem a chegada com calma.

“Com esta imagem, o asteroide menor, Dimorphos, se torna visível pela primeira vez”, explica Michael Kueppers. “Antes, a espaçonave ainda resolvia o sistema Didymos como um único ponto. Agora, mesmo com Dimorphos ocupando só cerca de um pixel, ele está claramente bem separado do corpo maior que o acompanha.”

Os 151 metros de Dimorphos e os 780 de Didymos

Nas primeiras imagens, os dois asteroides parecem manchas pequenas. Em tamanho real, não são. Dimorphos tem cerca de 151 metros de diâmetro, medida comparável à da Grande Pirâmide de Gizé. Didymos, o maior, tem aproximadamente 780 metros de diâmetro, pouco menos que a altura do Burj Khalifa, o prédio mais alto do mundo.

Eles não se tocam. Dimorphos orbita Didymos a uma separação média de apenas 1,15 quilômetro, movendo-se a cerca de 18 centímetros por segundo, um passo lento na escala de quem caminha. Entender essa dança é parte do quebra-cabeça: qualquer mudança no movimento da rocha menor precisa ser medida com precisão.

O que o impacto da DART fez com Dimorphos?

A DART mostrou que uma nave pode, sim, alterar o movimento de um asteroide. Isso importa porque, se um dia aparecer uma rocha em rota de colisão com a Terra, essa é uma das poucas ferramentas disponíveis: o chamado impacto cinético, que é bater com uma espaçonave para empurrar o alvo aos poucos e mudar sua trajetória.

O que ninguém sabe ainda é em que estado Dimorphos ficou. Os pesquisadores não sabem se a batida deixou uma cratera ou se deformou o asteroide inteiro. Também faltam medidas mais precisas da composição, da estrutura interna e da massa. Sem esses dados, não dá para explicar por que o golpe funcionou tão bem.

Por que a órbita encurtou mais do que os modelos previam?

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Aí está o ponto que faz a Hera valer cada quilômetro da viagem. Segundo os pesquisadores, a mudança na órbita de Dimorphos foi bem maior do que as simulações de computador tinham previsto. O experimento deu certo, mas de um jeito que os modelos não anteciparam por completo.

Essa diferença não é detalhe. Uma estratégia de defesa planetária precisa ser previsível. Se o efeito depende de propriedades físicas que os cientistas ainda desconhecem, cada alvo futuro vira uma aposta. Por isso a Hera vai fazer o que a ESA chama de investigação do local do acidente: mapear a rocha, medir massa e estrutura e observar como o material reagiu à pancada. É esse trabalho que pode transformar uma batida bem-sucedida em método confiável.

O que a Hera espera ver a partir de 25 de novembro?

As imagens que vão responder a essas perguntas ainda estão por vir. De acordo com Carnelli, a ESA vai divulgar as primeiras imagens detalhadas de Dimorphos em 25 de novembro, quando a sonda estiver bem mais perto. “Nossas visões vão ficar muito mais nítidas conforme a Hera se aproxima”, disse ele.

Nos meses seguintes, a sonda vai usar seu conjunto de instrumentos científicos e soltar dois CubeSats, pequenos satélites do tamanho de uma caixa de sapatos cada um, para observar o sistema de distâncias ainda menores. A expectativa é que a investigação inclua, mais adiante, operações de pouso. E quem quiser acompanhar de perto tem um companheiro de missão: o Hera Space Companion, plataforma interativa conectada à missão e descrita pela ESA como algo além de um chatbot de inteligência artificial comum.

Vale guardar a escala do problema. A 197 milhões de quilômetros da Terra, um desvio de 33 minutos na órbita de uma rocha de 151 metros pode soar irrelevante. Só que a defesa planetária é feita exatamente disso: mudanças pequenas, medidas com precisão e aplicadas com antecedência suficiente para tirar um objeto do caminho. A missão Hera existe para descobrir se a humanidade já sabe fazer essa conta de verdade, ou se a pancada de 2022 foi um acerto que ninguém consegue repetir de propósito.

Se você tem curiosidade sobre o que acontece quando uma dessas pedras encontra a atmosfera terrestre, o site já explicou como uma rocha espacial vira meteorito.

Perguntas frequentes

O que é um asteroide binário?

Asteroide binário é um sistema formado por duas rochas que giram uma em torno da outra, caso de Didymos e Dimorphos. Dimorphos orbita Didymos a uma separação média de 1,15 quilômetro.

A missão Hera vai pousar em Dimorphos?

A ESA espera que a investigação da Hera inclua operações de pouso mais adiante. Antes disso, o plano inclui medições com os instrumentos de bordo e a soltura de dois CubeSats.

O que são os CubeSats da missão Hera?

Os CubeSats são dois pequenos satélites, cada um com aproximadamente o tamanho de uma caixa de sapatos, que a Hera vai liberar para observar o sistema de perto. As medições deles se somam às da própria sonda.

Fontes

  • ESA — Agência Espacial Europeia, "First light: Hera resolves two asteroids instead of one", página oficial da missão Hera: https://www.esa.int/Space_Safety/Hera/First_light_Hera_resolves_two_asteroids_instead_of_one
  • ScienceDaily, "NASA smashed into an asteroid. Now Hera is closing in to see what happened" (com declarações de Michael Kueppers e Ian Carnelli, da ESA): https://www.sciencedaily.com/releases/2026/11/261103003154.htm

Matéria escrita e revisada originalmente por Paulo Budri.

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