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EUA usam IA para caçar traders ilegais no Polymarket

CFTC usa IA e rastreamento em blockchain para identificar traders ilegais em mercados de previsão offshore. Agência promete enforcement global.

Analista monitorando padrões de negociação em telas de computador com dados de transações no Polymarket.
Analista monitorando padrões de negociação em telas de computador com dados de transações

A agência americana que fiscaliza mercados de previsão, como o Polymarket, está investindo em inteligência artificial para detectar manipulação de preços e negociação com informações privilegiadas. O movimento ocorre após meses de suspeitas sobre operadores que lucraram apostando em eventos geopolíticos, como conflitos militares, usando plataformas descentralizadas offshore antes que qualquer informação fosse pública.

Michael Selig, presidente da Commodity Futures Trading Commission (CFTC), confirmou esta semana que a agência está rastreando traders americanos que usam VPNs para contornar bloqueios geográficos e acessar plataformas como Polymarket. ‘Vamos encontrá-los e vamos tomar ações’, disse Selig ao WIRED, do escritório da CFTC em Washington.

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Como a IA está mudando a fiscalização no Polymarket?

Com um volume de dados muito maior do que tinha há alguns anos, a CFTC concluiu que ferramentas tradicionais de análise não acompanham o ritmo dos mercados descentralizados. A agência passou a alimentar sistemas de IA com dados de transações, padrões de negociação e comportamentos suspeitos. Os algoritmos identificam anomalias que possam sinalizar manipulação.

‘Você tem uma quantidade massiva de dados’, explica Selig. ‘Quando colocamos isso em IA, obtemos informações muito boas. Pode nos ajudar a entender onde investigar ou quando enviar uma intimação para um trader.’

A CFTC usa ferramentas internas desenvolvidas por sua própria equipe, mas também recorre a softwares de terceiros. Ferramentas de rastreamento em blockchain, como Chainalysis, originalmente criadas para monitorar criptomoedas, passaram a detectar comportamento suspeito em plataformas descentralizadas. Para mercados centralizados, a agência usa o Nasdaq Smarts, que identifica abuso de mercado.

Os escândalos que aceleraram a resposta regulatória

Por meses, traders exploraram plataformas de previsão com apostas sincronizadas a eventos que só seriam públicos depois. Em março, o senador Chris Murphy, do Connecticut, sugeriu ao WIRED que assessores da Casa Branca podiam estar envolvidos em negociação com informações privilegiadas sobre contratos relacionados a guerras. Em abril, sete congressistas pediram à CFTC que investigasse mercados offshore oferecendo contratos sobre eventos bélicos, descrevendo-os como ‘moralmente obscenos’.

Kalshi e Polymarket, os dois maiores nomes do setor, passaram a disputar credibilidade. Kalshi anunciou suspensões de clientes flagrados em insider trading. Polymarket, que enfrentou as acusações mais graves, fechou parceria com a Chainalysis em abril e contratou a Palantir para fiscalizar seus mercados de esportes nos EUA, além de adotar regras mais rigorosas de integridade de mercado.

A jurisdição além-fronteiras como ferramenta de enforcement

Selig revelou que a CFTC planeja exercer jurisdição extraterritorial, aplicando suas leis fora das fronteiras americanas. Polymarket é tecnicamente offshore e não está sujeita à regulação direta dos EUA, mas opera com usuários americanos. A agência argumenta que o Dodd-Frank Act de 2010 lhe confere autoridade sobre atividades de swap estrangeiras que afetam o mercado americano.

‘Usamos isso em circunstâncias extremas’, explicou Selig. A abordagem é caso a caso, e a CFTC trabalha com reguladores de outros países nos processos mais complexos. A agência afirma monitorar ‘centenas, se não milhares’ de denúncias de insider trading.

Essa estratégia tem risco concreto: cada caso enfrenta desafios legais sobre a autoridade real da CFTC, o que pode comprometer processos futuros. Selig afirmou estar selecionando apenas os casos mais sólidos para litigação internacional.

O papel do rastreamento em blockchain

Maddie Kenney, porta-voz da Chainalysis, explicou que a empresa analisa os mesmos dados para clientes públicos e privados. ‘O valor que a Chainalysis adiciona, incluindo para Polymarket e a CFTC, é organizar os dados e enriquecê-los com atribuições e insights acumulados ao longo dos anos’, disse Kenney.

Isso significa que reguladores e plataformas usam a mesma tecnologia para rastrear transações suspeitas. A transparência do blockchain torna mais fácil identificar padrões anormais: cada transação deixa rastro permanente, criando um registro que algoritmos podem analisar retroativamente.

A expansão dos mercados de previsão descentralizados criou um vácuo regulatório que durou meses. Com IA e ferramentas de rastreamento em blockchain, esse vácuo está sendo preenchido. O que ainda não se sabe é se o enforcement será suficiente para desencorajar operadores desonestos ou se vai apenas empurrá-los para plataformas mais opacas.

Foto: Roger Brown no Pexels

Matéria original: https://arstechnica.com/tech-policy/2026/05/the-us-is-betting-on-ai-to-catch-insider-trading-in-prediction-markets/

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