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Em Princeton, 30% dos alunos colam com IA, e ninguém denuncia

Em Princeton, 30% dos alunos admitem colar com IA, mas ninguém denuncia. O histórico código de honra da universidade enfrenta seu maior teste.

Alunos em sala de exame sentados em carteiras durante prova individual
Alunos em sala de exame sentados em carteiras durante prova individual

O código de honra de 133 anos da universidade mais elitista dos EUA enfrenta seu maior teste. Pesquisa revela que um em cada três estudantes já usou inteligência artificial para fraudar exames, mas a cultura do silêncio impede que os pares os denunciem.

Como Princeton permitiu que a fraude virasse normalidade?

Princeton não monitora seus exames. Desde 1893, a universidade confia num pacto de honra que obriga os alunos a escrever “Juro honrar o Código de Honra durante este exame” antes de começar qualquer avaliação. Em troca, os professores não vigiam as salas.

O sistema funcionou por mais de um século. Parou de funcionar quando a IA generativa chegou aos celulares.

Uma pesquisa com formandos de 2025 mostrou que 29,9% dos alunos admitiram colar em ao menos uma prova ou trabalho. Nos cursos de engenharia, a taxa salta para 40,8%. Nos de artes, fica em 26,4%.

Por que ninguém denuncia a fraude acadêmica com IA?

A universidade deixa claro que estudantes são obrigados a denunciar colegas que veem fraudando. Ninguém faz isso.

Entrevistas com alunos de cursos como Economia mostram que a fraude acadêmica com IA é tão comum que há fila para usar o banheiro durante provas. O motivo é óbvio: acesso a internet, celular e IA longe dos olhos dos examinadores que não existem.

Um aspecto peculiar da cultura universitária americana explica por que os pares não denunciam. Chamar alguém de fraudador é considerado uma traição. A lealdade horizontal entre colegas sobrepõe a lealdade institucional ao código de honra.

Isso cria um paradoxo cruel. Alunos genuinamente incomodados com a fraude continuam em silêncio porque o custo social de denunciar é mais alto do que o de permitir que o roubo continue.

A brecha que a IA abriu no sistema de honra

O código de honra de Princeton funcionava porque era difícil trapacear sem deixar evidência. Um aluno consultando um livro na biblioteca durante uma prova era impossível. Um aluno mandando mensagem para um amigo era suspeito e obviamente violador do código.

A IA muda essa dinâmica. Uma ferramenta como ChatGPT roda no celular sem deixar rastro digital. Ninguém vê você consultá-la. O resultado é indistinguível do trabalho honesto.

Os professores de Princeton não estão alheios ao problema. Mas a universidade não autorizou eles a proctorizar exames, o que deixaria a detecção de fraudes muito mais fácil. Mexer no código de honra é mexer num pilar fundador da instituição.

O que acontece quando um sistema honra não encontra gente honrada

Uma opinião publicada no jornal estudantil de janeiro resumiu o impasse: o código de honra pressupõe uma comunidade de pessoas honradas. Quando 40% dos alunos de engenharia estão fraudando abertamente, essa pressuposição desaba.

Princeton enfrenta uma escolha incômoda. Pode continuar confiando num pacto de honra que virou ficção legal. Ou pode fazer o que centenas de universidades americanas fazem: voltar a vigiar suas provas.

A elite intelectual dos EUA está descobrindo que sistemas baseados em confiança só funcionam quando a confiança ainda existe. A IA não criou o problema. Expôs apenas o que já estava ali.

Foto: Andy Barbour no Pexels

Matéria original: https://arstechnica.com/tech-policy/2026/05/ai-driven-cheating-widespread-even-at-elite-schools-like-princeton/

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