Imagens da missão Apollo 12 voltaram aos holofotes mostrando “luzes” no céu lunar que o astronauta Alan Bean descreveu em 1969. Antes de pensar em OVNIs, vale conhecer as explicações científicas — sólidas e fascinantes — para o que ele realmente viu.
Em 19 de novembro de 1969, o comandante Pete Conrad e o piloto Alan Bean pousaram na Lua. Observando pelo telescópio de alinhamento da nave, Bean notou algo curioso: “Você consegue ver essas luzes — partículas de luz, flashes de luz… apenas navegando pelo espaço.” Décadas depois, com a recente divulgação de imagens e transcrições, o episódio reacendeu o interesse do público. Mas a ciência tem boas pistas sobre o que estava acontecendo.
Pista nº 1: as partículas brilhantes ao redor da nave
O próprio Bean deu a primeira dica: ele suspeitou que as partículas vazassem da caldeira de água da nave. E essa é, de fato, uma das explicações mais conhecidas da era Apollo.
As espaçonaves despejavam água e outros fluidos no vácuo. Ao serem liberadas, essas gotículas congelam instantaneamente, formando uma nuvem de minúsculos cristais de gelo e detritos que acompanham a nave. Sob a luz direta do Sol, sem atmosfera para espalhá-la, esses fragmentos cintilam como pequenas estrelas em movimento. Os astronautas viam isso com tanta frequência que faziam piada com a “constelação” de partículas ao redor da cápsula.
Pista nº 2: os flashes que só existem dentro do olho
Há um segundo fenômeno, ainda mais surpreendente. Desde a Apollo, astronautas relatam ver flashes de luz mesmo de olhos fechados, no escuro. A explicação é a radiação cósmica: longe da proteção do campo magnético da Terra, partículas de altíssima energia atravessam a cabeça do astronauta e, ao passar pela retina ou pelo nervo óptico, disparam as células visuais. O cérebro interpreta isso como um lampejo de luz que, na verdade, não está lá fora.
Isso não é especulação: nas missões Apollo 16 e 17, os astronautas usaram um capacete especial (o experimento ALFMED) que registrava a passagem das partículas. Os flashes relatados coincidiram com os traços dos raios cósmicos, confirmando a causa.
Dois fenômenos reais — gelo cintilante ao redor da nave e flashes de raios cósmicos no olho — explicam bem o tipo de “luz” que os astronautas relataram, sem precisar recorrer ao desconhecido.
E a história dos “OVNIs”?
A inclusão de imagens da Apollo em pacotes de documentos sobre fenômenos aéreos não identificados deu um ar de mistério ao caso. Mas é importante separar as coisas: até hoje, nenhuma evidência liga essas luzes a naves ou vida extraterrestre. “Não identificado” significa apenas que algo não foi formalmente classificado — não que seja alienígena.
O terceiro tripulante, Richard Gordon, orbitou a Lua por 31 horas no módulo de comando e não registrou avistamentos semelhantes — o que é coerente com fenômenos ligados à posição e às condições específicas de quem estava na superfície. Mais de cinco décadas depois, o caso segue sendo um ótimo lembrete de como o espaço prega peças nos sentidos.
Perguntas frequentes
Os astronautas da Apollo 12 viram OVNIs na Lua?
Não há evidência disso. As “luzes” relatadas têm explicações científicas conhecidas: partículas de gelo cintilando ao redor da nave e flashes causados por raios cósmicos atingindo o olho.
O que são os flashes de luz que astronautas enxergam?
São o “fenômeno visual de raios cósmicos”: partículas de alta energia atravessam o olho e estimulam as células da retina, gerando lampejos percebidos mesmo no escuro. Foi confirmado por experimentos a bordo das missões Apollo.
Por que aparecem partículas brilhantes ao redor das espaçonaves?
Normalmente são cristais de gelo e detritos formados quando a nave libera água e fluidos no vácuo. Eles congelam na hora e refletem a luz do Sol, parecendo pontos luminosos em movimento.
Links e Transparência Científica
- O fenômeno dos flashes: revisão sobre ilusões de luz no espaço e o experimento ALFMED da Apollo — Life Sciences in Space Research (2024); ver também o resumo do fenômeno.
- Gancho da notícia: reportagem sobre as imagens da Apollo 12 na Live Science.
- Nota editorial: conteúdo jornalístico adaptado por Paulo Budri, com foco na explicação baseada em evidências.
Foto: Samir Smier no Pexels




