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Tsunami no Alasca em 2025 superou altura de arranha-céu de Nova York

Tsunami no Alasca em 2025 alcançou 481 metros, superando altura de arranha-céu. Descoberta mostra como fjords amplificam ondas.

Fjord estreita com água agitada entre encostas rochosas cobertas de neve
Fjord estreita com água agitada entre encostas rochosas cobertas de neve

Um tsunami que atingiu uma fjord no Alasca no ano passado alcançou uma altura extraordinária: 481 metros acima do nível do mar. Para colocar em perspectiva, essa altura ultrapassa os 417 metros do One World Trade Center em Nova York, um dos edifícios mais famosos do mundo.

A descoberta vem de um estudo publicado a 6 de maio na revista Science, que revelou detalhes inéditos sobre o evento. O tsunami atingiu a fjord Tracy Arm, ao sul de Juneau, no dia 10 de agosto de 2025, quando um deslizamento de terra colossal despejou 60 milhões de metros cúbicos de rocha nas águas do fjord. O impacto criou uma das ondas mais altas já registadas na história.

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Como um fjord se tornou uma câmara de ressonância gigante

O fenómeno mais surpreendente não foi apenas a altura da onda inicial, mas o que aconteceu depois. O tsunami criou uma onda estacionária, conhecida como seiche, que continuou a oscilar de um lado para o outro dentro do fjord estreito durante mais de um dia inteiro. Este comportamento marcou apenas a segunda vez que tal fenómeno foi documentado cientificamente.

Thomas Monahan, investigador sénior em engenharia da Universidade de Oxford, liderou a análise do evento. A equipa utilizou imagens de satélite e dados sísmicos para construir modelos computacionais detalhados do tsunami. Os investigadores observaram reverberações duradouras que indicavam claramente o padrão de oscilação característico de um seiche.

“Este estudo mostra que bacias fechadas como fjords podem actuar efetivamente como enormes diapasões,” explicou Monahan. “A ressonância é determinada pela forma e geometria de cada fjord, conferindo a cada um uma assinatura única quando afectados por eventos energéticos como estes megatsunamis.”

O que os satélites revelaram sobre a energia da onda?

Os dados captados pelo satélite Surface Water Ocean Topography, operado pela NASA e pela agência espacial francesa, trouxeram uma descoberta inesperada. A onda possuía mais energia do que os modelos computacionais haviam previsto inicialmente. Isto sugere que os mecanismos por trás destes eventos ainda não são completamente compreendidos.

O único tsunami conhecido por ser mais alto ocorreu em 1958 na Lituya Bay, também no Alasca, quando um terramoto desencadeou uma onda que alcançou 524 metros. O evento de 2025 coloca o tsunami de Tracy Arm no segundo lugar da lista histórica de maiores tsunamis registados.

Por que a fjord está tão instável?

O deslizamento de terra que gerou o tsunami não foi uma surpresa completa. A fjord é a saída do glaciar South Sawyer, que tem sofrido uma retirada rápida nos últimos anos, consistente com o padrão global de recuo glacial. Os investigadores ainda investigam se esta retirada glacial desestabilizou o declive ou se chuvas recentes contribuíram mais significativamente para o colapso.

Felizmente, a fjord não tinha visitantes no momento exacto do impacto, apesar de ser um destino popular para navios de cruzeiro. Alguns caiaquistas que estavam junto à boca do fjord, a vários quilómetros de distância, reportaram que o seu equipamento foi arrastado pelas ondas fortes, mas não houve feridos ou mortes.

A descoberta foi feita por “detetive” científico

Como ninguém viu directamente a onda ao atingir as encostas do fjord, compreender exactamente o que aconteceu exigiu análise detalhada de dados remotos. Os investigadores utilizaram um padrão de sinais sísmicos complexo para reconstruir o evento. O comportamento observado no Alasca foi significativamente mais complexo do que o seiche anteriormente documentado em Gronelândia em 2023.

Este caso reforça uma lição importante para a ciência: fenómenos naturais extremos frequentemente ocorrem sem testemunhas diretas, e a sua compreensão depende cada vez mais de tecnologia de monitorização remoto. A descoberta também sublinha como fjords e outras bacias geográficas específicas têm propriedades físicas únicas que amplificam certos tipos de ondas, transformando-as em armadilhas de energia.

Foto: Raul Ling no Pexels

Matéria original: https://www.livescience.com/planet-earth/a-2025-alaskan-tsunami-was-one-of-the-largest-on-record-new-research-finds

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