Pessoas que se dedicam regularmente a atividades artísticas envelhecem mais lentamente em nível biológico. É o que mostra um novo estudo da Universidade College London que analisou marcadores genéticos de envelhecimento em mais de 3.500 britânicos.
Os achados, publicados na revista Innovation in Aging, sugerem que o benefício de uma vida cultural ativa equipara-se ao de fazer exercício físico regularmente. Mas há um detalhe que surpreendeu os próprios pesquisadores: ninguém havia testado isso antes no nível do DNA.
Como a arte pode desacelerar o relógio biológico?
A equipe de pesquisadores liderada por Feifei Bu, do departamento de Saúde Comportamental da UCL, analisou respostas de questionários sobre engajamento artístico e cultural de 3.556 voluntários com idade média de 52 anos. Além disso, examinaram exames de sangue dos participantes para medir mudanças epigenéticas, isto é, alterações no DNA que controlam a velocidade de envelhecimento.
Para avaliar o ritmo de envelhecimento, os pesquisadores usaram sete relógios epigenéticos diferentes. Dois deles, chamados DunedinPoAm e DunedinPACE, são particularmente precisos para estimar a velocidade com que uma pessoa envelhece biologicamente. Quanto mais rápido esse envelhecimento, maior o risco de desenvolver doenças ligadas à idade.
O resultado foi claro: quanto mais frequentemente os participantes se envolviam com artes e cultura, mais lento era seu relógio biológico. A diferença era pequena em termos absolutos, mas suficiente para atrair atenção.
Por que atividades criativas protegem a saúde?
Os pesquisadores não encontraram uma relação direta de causa e efeito, mas levantam hipóteses plausíveis. Atividades artísticas podem reduzir inflamação crônica no corpo, um dos principais fatores que aceleram o envelhecimento. Além disso, essas atividades fortalecem a saúde cognitiva e reduzem sintomas depressivos, ambos associados a envelhecimento mais lento.
Existe precedente para essa conexão. Um estudo publicado na Nature Communications em outubro de 2025 descobriu que atividades como dançar e apreciar artes visuais mantêm o cérebro mais jovem por mais tempo. O novo trabalho sugere que esses benefícios não ficam restritos ao cérebro.
De acordo com Bu, estudos anteriores já conectavam engajamento com artes e cultura a melhor cognição, menores índices de depressão e melhor saúde física. Mas ninguém havia investigado se esses ganhos deixam marcas no nível genético.
Uma descoberta que muda a forma de pensar sobre saúde
O estudo tem limitações importantes. Como se baseou em observação (survey) e não em um experimento controlado, não prova que criar ou apreciar arte causa envelhecimento mais lento. Pessoas que se envolvem com artes podem ter outras características saudáveis que explicam o resultado. Além disso, os pesquisadores analisaram dados de um único ponto no tempo para a maioria dos participantes, o que deixa questões em aberto.
Ainda assim, a descoberta traz uma implicação prática: se você busca preservar a saúde conforme envelhece, visitar museus, dançar, fazer aulas de pintura ou apreciar teatro podem ser tão relevantes quanto uma academia. E, diferentemente de correr na esteira, essas atividades alimentam a criatividade enquanto ralentam o relógio biológico.
Foto: Alina Rossoshanska no Pexels
Matéria original: https://www.medicalnewstoday.com/articles/artistic-pursuits-could-help-slow-down-aging






Deixe seu comentário